someday you will be loved
Só por hoje eu queria estar completamente apaixonada por alguém.
Eu sinto falta de sentir aquele frio na barriga.
Aquela prazerosa sensação de borboletas no estômago.
De suar frio toda vez que ele liga, de sempre cogitar que é ele em cada sms recebido e do coração bater um pouquinho mais forte toda vez que a janelinha do msn aparece com o nome dele.
Não posso mensurar o sentimento pelo tempo que durou e sim, pela intensidade.
Mas, depois de uma dolorida decepção amorosa, eu quero deixar meu coração quietinho por um bom tempo.
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Um amigo meu disse um dia: “O pior sentimento do mundo é o desprezo”.
No momento eu não concordei muito, eu era muito nova e não sabia distinguir ódio de desprezo e paixão de amor.
Hoje, sei distinguir um do outro. Já experimentei um de cada vez e todos de uma vez só.
Escrever é como um desabafo forçado.
Hoje escrevo porque preciso esquecer, chorar para tirar o peso da alma e ouvir músicas tristinhas.
Porque tudo isso é a minha terapia.
Pensei em escrever: “Se existissem filas, eu escolheria não passar na da sensibilidade”
Sim, por um momento pensei que ser sensível é dar a cara a tapa. Entro em contradição em questão de segundos e já penso: Qual é o sentido da vida se você não dá sua cara a tapa? Porque não podemos nos apaixonar por uma pessoa que acabamos de conhecer, ou que nunca vimos, ou nos apaixonar por um sorriso, por um gesto, pelo querer bem. Não são essas coisas simples que fazem a vida valer a pena e que viram filmes de comédia romântica?
Sim, eu passei na fila da sensibilidade e não me envergonho disso. Eu choro em comédias românticas, choro ouvindo música, choro por saudade e choro pela ausência.
Os sensíveis são eternos sofredores, mas são os que vivem mais intensamente e de forma completa.
São os que dizem “estou apaixonado por você” ou “estou com saudades” e não esperam ouvir um “eu também”.
Chorar é a inquietação da alma. É quando não vemos sentido em nada e buscamos (em vão) explicações para tudo.
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E se…
E se eu soubesse que aquela noite teria sido a última, eu teria ficado.
Você, deitado de barriga para cima, fitando o teto. Eu, deitada de lado, segurando a cabeça com uma das mãos. Ah, eu poderia ficar assim por horas, ou até meu braço adormecer.
E se eu soubesse que aquela noite teria sido a última, eu teria te olhado por horas, como se meus olhos fossem o obturador de uma máquina fotográfica, que precisasse de uma longa exposição para uma bela foto.
E se eu soubesse que aquela noite teria sido a última, eu me fingiria de cega e exploraria os outros quatro sentidos:
Sentiria cada textura do seu rosto, formato da boca, a sedosidade do seu cabelo;
teria ouvido você falar até de política, só pra poder guardar sua voz em mim;
sentiria seu cheiro e seu gosto, como se não houvesse o amanhã.
E se eu soubesse que aquela noite teria sido a última, eu não teria lhe falado nada, deixaria meus atos falarem por mim.
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Mas aquela noite foi a última, e eu não sabia.
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sau.da.de
Talvez ninguém nunca entenda o real sentido da palavra saudade, pois para cada um há um significado diferente.
- Estava pensando em você agora pouco.
- Ah é? Porque?
- Tocou Cazuza. Lembrei de nós e deu saudade.
- Ué, mas e você e o “X”?
Ele, é uma pessoa que pensa que saudade tem de estar ligada diretamente à amor ou estar junto, mas na minha concepção, saudade é lembrar com carinho dos momentos que passamos juntos. Momentos esses que nunca serão esquecidos mesmo que você já esteja com outra pessoa.
Saudade é que nem amor: não marca hora pra chegar, não escolhe vítima e não tem hora para ir embora.
Por hora, penso que saudade não foi feita para ser discutida, somente sentida.
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Memória de minhas putas tristes
“Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que niguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado de alma e sim um signo do zodíaco.”
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a fuga
Percebi uma coisa: corro para o papel quando sinto meu coração apertar. Ele se comprime tanto, que quando dói sempre escorre uma lágrima primeiro do olho direito. A lágrima borra os escritos – esses, sempre em tinta preta – e deixa o papel num tom que consigo ver as letras do verso da folha. E no alívio de escrever as última linhas e colocar o ponto final, eu bato o olho rapidamente e começo a reler. Reler é tão doloroso quanto escrever – se não mais – é ler pausadamente, é pensar, é ver tudo em câmera lenta e sentir que você não vai aguentar segurar as lágrimas – e você não aguenta.
Você pega o papel, dobra uma, duas, três e dobra pela quarta vez. Penso: “Quatro é um bom número para dobras no papel” e tento desviar meus pensamentos para longe do conteúdo da folha. Abro a caixa que contém pensamentos de uma vida inteira, coloco-o lá, olho para todos aqueles outros pensamento, dou um risinho e com ele vem a última lágrima, fecho a caixa, enxugo o rosto, dou um suspiro, fecho os olhos e digo mentalmente: vai passar.
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Porque todo mundo escreve sobre amores?
Quando eu era mais nova eu achava que eu tinha que ser muito difícil, não tinha que tomar iniciativa e tinha que fazer joguinhos. Com poucos isso deu certo, os outros desistiram por eu enrolar demais. Não era minha intenção que eles desistissem, mas poxa, não tem que ser assim?
Então…
Dessa vez eu pensei em fazer tudo diferente. Tomei iniciativa, não fiz joguinhos e fui sincera. Mas adivinhem: também não deu certo. Onde eu errei? Analisei toda a situação e vi que fui sincera até demais, fiquei exposta e fui muito insistente. Eu ligava a hora que eu tinha vontade, falava o que queria/sentia, enfim, estava sendo eu sem nenhuma máscara. “Você é tão previsível” – ele me disse.
Mas que raios: ser sincera ou não? tomar iniciativa ou não? fazer joguinhos ou não?
Sei que com uma próxima pessoa [e espero que demore para aparecer, porque consome] eu serei um meio termo.
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Devaneios
Como o ser humano é estranho.
Às vezes me sinto estranha por sentir isso, mas aí penso nos poetas.
O que seria dos poetas se não existisse o amor não correspondido?
Tudo seriam flores, alegrias e amores. Mas afinal, não é isso que todo mundo busca?
Eu achava que sim.
Me lembrei de Florbela Espanca.
Escreveu os poemas mais lindos que já li.
Poemas de não-amor, poemas que traziam uma alma de dor.
Afinal, ela era casada, não deveria estar feliz?
Talvez Woody Allen tivesse toda razão: “Só os amores não realizados podem ser românticos”.
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Cartas para o vento
Meu mais novo amigo,
Quando sentia palpitadas no coração e borboletas no estômago, costumava ouvir músicas que lembravam você e tinha vontade de escrever sobre meus sentimentos.
Rascunhei uma carta e mandei, sem muito pensar. Lembra-se o que dizia? Eu me apaixonara.
Você passou a existir no Natal, um presentinho que acidentalmente tropeçou nos últimos dias do meu 2008.
O começo foi tão estranho, fiquei confusa com sua atenção e seu desdém. Foi para longe – senti saudade da sua voz.
Quando te olhei, parado ao pé da porta – não hesitei.
“Não se envolva” – ela dizia bem baixinho no meu ouvido.
A minha vida mudou e o “nós” que algum dia existiu também.
Não sei porque tens tanto medo de se envolver – ou seria pretensão minha?
Não quero tuas respostas, sei das minhas e já basta.
Beijos.
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Inconstante
Em outros tempos ela derreteria-se com esses seus tipos de frases, pisaria em ovos, escolheria palavras e usaria risadinhas como ponto final. Mas hoje ela está diferente, meio sem-paciência-tocando-o-foda-se brincando com frases irônicas e sarcásticas. Talvez eu prefira ela assim: sem pudor – sem dor.
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