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Porque todo mundo escreve sobre amores?
Quando eu era mais nova eu achava que eu tinha que ser muito difícil, não tinha que tomar iniciativa e tinha que fazer joguinhos. Com poucos isso deu certo, os outros desistiram por eu enrolar demais. Não era minha intenção que eles desistissem, mas poxa, não tem que ser assim?
Então…
Dessa vez eu pensei em fazer tudo diferente. Tomei iniciativa, não fiz joguinhos e fui sincera. Mas adivinhem: também não deu certo. Onde eu errei? Analisei toda a situação e vi que fui sincera até demais, fiquei exposta e fui muito insistente. Eu ligava a hora que eu tinha vontade, falava o que queria/sentia, enfim, estava sendo eu sem nenhuma máscara. “Você é tão previsível” – ele me disse.
Mas que raios: ser sincera ou não? tomar iniciativa ou não? fazer joguinhos ou não?
Sei que com uma próxima pessoa [e espero que demore para aparecer, porque consome] eu serei um meio termo.
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Eu penso que…
Todo mundo escreve sobre amores porque temos a necessidade de nos comunicarmos. Temos de botar pra fora. E sobre amores não é algo que falamos com qualquer um. Não dá pra chegar pro cobrador do ônibus ou um colega de trabalho e começar a falar sobre as lamúrias do coração. Poucas pessoas (ou ninguém) entenderiam. Então às vezes faz sentido colocar pra fora no papel (físico ou virtual). Nem precisa de alguém respondendo; só precisa botar pra fora. Somos seres movidos a vapor; se a gente fecha a válvula de escape, a pressão começa a subir, e se deixar explode. Escrever e refletir através da escrita é uma válvula de escape. É meio inconsciente, mas sabemos que precisamos escrever.
Já sobre os jogos da aproximação…
Analisando de um modo bem pragmático como bom programador que sou, o problema é que não temos um protocolo fixo pra definir o que é gostar de uma pessoa, o que é compartilhar o tempo. Algumas pessoas querem mais proximidade, outras menos. Umas querem o grude, outras querem um tempo sozinhas. Umas querem mais calor, outras menos. Umas querem saber onde o parceiro está a cada momento e fazendo o quê, outras dão liberdade. Umas se irritam com cobranças, outras acham carinhoso.
E aí, infelizmente, acho que o meio termo é só outra opção; é tentar satisfazer a todos e não satisfazer ninguém.
É um jogo de adivinhação. Mas é legal quando você se comporta do jeito que quer, quando você adota seu próprio protocolo, e dá certo. Não é fácil, mas se a humanidade ainda existe, é porque em algum momento pode acontecer.
Já joguinhos, ninguém merece.
Boa sorte da próxima vez, Pri.