a fuga
Percebi uma coisa: corro para o papel quando sinto meu coração apertar. Ele se comprime tanto, que quando dói sempre escorre uma lágrima primeiro do olho direito. A lágrima borra os escritos – esses, sempre em tinta preta – e deixa o papel num tom que consigo ver as letras do verso da folha. E no alívio de escrever as última linhas e colocar o ponto final, eu bato o olho rapidamente e começo a reler. Reler é tão doloroso quanto escrever – se não mais – é ler pausadamente, é pensar, é ver tudo em câmera lenta e sentir que você não vai aguentar segurar as lágrimas – e você não aguenta.
Você pega o papel, dobra uma, duas, três e dobra pela quarta vez. Penso: “Quatro é um bom número para dobras no papel” e tento desviar meus pensamentos para longe do conteúdo da folha. Abro a caixa que contém pensamentos de uma vida inteira, coloco-o lá, olho para todos aqueles outros pensamento, dou um risinho e com ele vem a última lágrima, fecho a caixa, enxugo o rosto, dou um suspiro, fecho os olhos e digo mentalmente: vai passar.
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Bom texto hein, tocou a minha alma :-P